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U Pe Tin, um homem do povoado de Okingone em Mianmá (antiga Birmânia) teve um sonho. Sonhou que U Seing Maung, um conhecido seu, dizia-lhe que gostaria de reencarnar em sua família. U Pe Tin, assim como outros budistas de Mianmá, acreditava na reencarnação. Mas achou o pedido muito estranho, pois nessa mesma noite, U Seing lhe havia visitado e conversado com ele e sua esposa, Daw Khin Hla. Portanto, como poderia uma pessoa viva vir pedir para reencarnar em sua família?

Para sua surpresa, no dia seguinte, U Pe Tin soube que U Seing havia sido emboscado no caminho de casa e assassinado a golpes de espadas.

Daw Khin Hla ainda não estava grávida quando da morte de U Seing. Mas engravidou futuramente e teve uma menina. Ma Myint Thein nasceu em 12 de outubro de 1956, em Okingone, no mesmo povoado onde vivia U Seing. Os pais de Ma Myint tiveram um grande choque quando viram as duas mãozinhas da menina. Com exceção dos polegares, os oito dedos eram disformes, dois da mão direita “cortados” na primeira falange.

Quando tinha por volta de cinco anos de idade, Ma Myint começou a falar que na vida passada ela era U Seing Maung. Certa vez, quando brincava com outras crianças, ao observar que as mãos de seus colegas eram normais e as dela não, começou a reviver em sua mente o episódio do assassinato de U Seing. Ma Myint viu-se como U Seing Maung, cercado por três ou quatro homens, quando estes desfechavam-lhe golpes de espadas. Disse que seus dedos eram deformados porque foram cortados quando tentava proteger-se dos golpes das espadas.

A primeira vez que sua mãe, Daw Khin Hla, notou que a filha falava de sua vida passada foi no momento em que ouvira a menina falando algo estranho a seus irmãos. “Minha esposa mora no sul (em Rangum, antiga capital de Mianmá), e darei doces para vocês se me levarem até lá.”

À partir daí as lembranças vieram cada vez mais claras, e Ma Myint passou a falar sobre sua vida passada com vários membros de sua família. Disse que seu nome era U Seing Maung, que sua esposa se chamava Ma Thein, e tinha um casal de filhos, dando também outros detalhes corretamente sobre a vida de U Seing.

Este caso foi investigado pessoalmente pelo finado Dr. Ian Stevenson, psiquiatra da Universidade de Virginia nos Estados Unidos, e o maior investigador de fatos relacionados a lembranças espontâneas que certas crianças dizem ter de vidas passadas, com mais de 40 anos de investigação e com mais de três mil casos catalogados.

O Dr. Stevenson conversou com duas pessoas que viram o corpo de U Seing, e ambas disseram que os dedos das duas mãos haviam sido decepados e por pouco não fora decaptado. Um assistente de Dr.
Stevenson contatou várias outras pessoas que haviam visto o corpo de U Seing, e todas confirmaram as informações sobre o decepamento dos dedos e a quase decaptação.

Se Ma Myint Thein fosse mesmo a reencarnação de U Seing Maung, ela havia sido homem na vida passada. Estranhamente, a menina exibia uma peculiaridade interessantíssima. Ela apresentava certos traços típicamente masculinos. Por muito tempo gostava de usar roupas masculinas, e usava certos verbos masculinos, que, segundo o Dr. Stevenson, o idioma de Mianmá, nepalês, contém certas palavras que são utilizadas exclusivamente por um sexo ou outro. Ma Myint constumava queixar-se abertamente do fato de ser mulher.

Contudo, quando tornou-se adulta, aceitou sua nova condição, casou-se e teve dois filhos.


Este e outros casos semelhantes são apresentados no livro Morrer não é o fim (Petit Editora), de Admir Serrano, residente em Miami e pesquisador de fenômenos paranormais.


Escrito por lurdinha.blog às 22h39
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